racismo ambiental e injustiça climática
racismo ambiental e injustiça climática novembro 2025
o papel das cidades no enfrentamento às mudança do clima e no combate às desigualdades socioterritoriais
Os efeitos adversos das mudanças climáticas têm produzido consequências devastadoras para as nossas cidades e têm ocorrido de forma cada vez mais intensa e frequente. Os esforços insuficientes no contexto global, nacional e local de mitigar as mudanças do clima geram projeções pouco animadoras para a vida nas cidades onde, atualmente, 64% da população urbana mundial já está altamente exposta a situações de desastres em decorrência de eventos climáticos (UN Habitat, 2024).
Portanto, é urgente visibilizar a interconexão entre as agendas urbana e climática: inserir as especificidades do contexto urbano no centro da ação do clima, assim como as causas e consequências da questão climática no centro do planejamento urbano. Só será possível alcançar a justiça climática quando o direito à cidade for garantido a todas as pessoas.
A partir desse contexto, este dossiê tem como objetivo atualizar a pesquisa Racismo Ambiental e Justiça Socioambiental nas Cidades (Pólis, 2022), que problematizou o racismo ambiental no contexto de três capitais brasileiras, Belém (PA), Recife (PE) e São Paulo (SP), utilizando dados do Censo 2010 (IBGE). A pesquisa atual (1) utiliza as variáveis mais recentes do Censo de 2022, (2) aborda novas dimensões da desigualdade socioterritorial que se articulam com os efeitos das mudanças climáticas e (3) adiciona a cidade de Porto Alegre (RS) no escopo das análises. Ainda que os padrões de desigualdade socioterritoriais tenham certa similaridade entre as cidades analisadas, há especificidades de cada território que serão abordadas em textos especiais, propostos por autoras e autores convidados que moram e atuam nessas capitais.
Este dossiê apresenta um trabalho analítico que privilegia a reflexão acerca de dados territorializados, como forma de reivindicar a urgência da crise climática e de seus impactos nas cidades – para além de uma visão estritamente ambiental. Trata-se de uma estratégia para enfatizar e articular os aspectos socioterritoriais que definem os locais (“onde”) e os grupos (“quem”) afetados de forma mais severa pelos efeitos das mudanças do clima. Não se trata de um estudo comparativo entre essas quatro capitais, que foram selecionadas apenas como casos ilustrativos de um problema abrangente e representativo do Brasil urbano e, sobretudo, de grandes cidades. Tampouco se trata de uma análise taxativa ou determinista, visto que o contexto urbano nacional é razoavelmente heterogêneo e diverso. Trata-se, sim, de um esforço reflexivo baseado em dados para demonstrar a importância de uma análise territorializada e interseccional como método de pensar e elaborar uma agenda climática que dialogue com o contexto de nossas cidades e seja orientada pela noção de justiça socioterritorial e climática.
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- confira os materiais da pesquisa Morar no Centro como Estratégia de Mitigação Climática (2024)
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- plataforma UrbVerde de dados socioambientais georreferenciados
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- “Negros e pobres são os mais afetados por eventos climáticos extremos, diz pesquisa” – Mônica Bérgamo, 02/11/2025
equipe
diretoria executiva
- Cássia Gomes da Silva
- Henrique Botelho Frota
- Rodrigo Faria G. Iacovini
coord. pesquisa
- Fernanda Accioly Moreira
- Kelly Komatsu Agopyan
- Vitor Coelho Nisida
coord. projeto
- Henrique Botelho Frota
coord. comunicação
- Nicolau Soares
projeto gráfico e design
- Datadot Estúdio
redação
- Clareana Cunha (Instituto Pólis)
- Cristiano Muller (CDES Direitos Humanos – Porto Alegre, RS)
- Fernanda Accioly Moreira (Instituto Pólis)
- Guilherme Carvalho (FASE Programa Amazônia)
- Isabella Berloffa Alho (Instituto Pólis)
- Joice Paixão (Associação GRIS Espaço Solidário)
- José Júlio Lima (UFPA – Belém, PA)
- Kelly Komatsu Agopyan (Instituto Pólis)
- Lara Aguiar Cavalcante (Instituto Pólis)
- Maíra Rodrigues da Silva (UNICAMP)
- Raquel Ludermir (Habitat Para Humanidade – Recife, PE)
- Vitor Coelho Nisida (Instituto Pólis)
- Victor H. Argentino de M. Vieira (Instituto Pólis)
equipe de pesquisa e revisão
- Fernanda Accioly Moreira
- Isabella Berloffa Alho
- Kelly Komatsu Agopyan
- Lara Aguiar Cavalcante
- Vitor Coelho Nisida
agradecimentos especiais
- Karina Leitão (FAUD USP – São Paulo, SP)
- Maria Gabriela Feitosa (More in Common)
- Olinda do Carmo Luiz (HCFMUSP – São Paulo, SP)
- Regina Dulce Lins (UFAL – Maceió, AL)
- Rejane Calixto Gonçalves (HCFMUSP – São Paulo, SP)
racismo ambiental e injustiça climática novembro 2025
Os efeitos adversos das mudanças climáticas têm produzido consequências devastadoras para as nossas cidades e têm ocorrido de forma cada vez mais intensa e frequente. Os esforços insuficientes no contexto global, nacional e local de mitigar as mudanças do clima geram projeções pouco animadoras para a vida nas cidades onde, atualmente, 64% da população urbana mundial já está altamente exposta a situações de desastres em decorrência de eventos climáticos (UN Habitat, 2024).
Portanto, é urgente visibilizar a interconexão entre as agendas urbana e climática: inserir as especificidades do contexto urbano no centro da ação do clima, assim como as causas e consequências da questão climática no centro do planejamento urbano. Só será possível alcançar a justiça climática quando o direito à cidade for garantido a todas as pessoas.
A partir desse contexto, este dossiê tem como objetivo atualizar a pesquisa Racismo Ambiental e Justiça Socioambiental nas Cidades (Pólis, 2022), que problematizou o racismo ambiental no contexto de três capitais brasileiras, Belém (PA), Recife (PE) e São Paulo (SP), utilizando dados do Censo 2010 (IBGE). A pesquisa atual (1) utiliza as variáveis mais recentes do Censo de 2022, (2) aborda novas dimensões da desigualdade socioterritorial que se articulam com os efeitos das mudanças climáticas e (3) adiciona a cidade de Porto Alegre (RS) no escopo das análises. Ainda que os padrões de desigualdade socioterritoriais tenham certa similaridade entre as cidades analisadas, há especificidades de cada território que serão abordadas em textos especiais, propostos por autoras e autores convidados que moram e atuam nessas capitais.
Este dossiê apresenta um trabalho analítico que privilegia a reflexão acerca de dados territorializados, como forma de reivindicar a urgência da crise climática e de seus impactos nas cidades – para além de uma visão estritamente ambiental. Trata-se de uma estratégia para enfatizar e articular os aspectos socioterritoriais que definem os locais (“onde”) e os grupos (“quem”) afetados de forma mais severa pelos efeitos das mudanças do clima. Não se trata de um estudo comparativo entre essas quatro capitais, que foram selecionadas apenas como casos ilustrativos de um problema abrangente e representativo do Brasil urbano e, sobretudo, de grandes cidades. Tampouco se trata de uma análise taxativa ou determinista, visto que o contexto urbano nacional é razoavelmente heterogêneo e diverso. Trata-se, sim, de um esforço reflexivo baseado em dados para demonstrar a importância de uma análise territorializada e interseccional como método de pensar e elaborar uma agenda climática que dialogue com o contexto de nossas cidades e seja orientada pela noção de justiça socioterritorial e climática.






